Coronavirus

Infectada pelo coronavírus, indígena morre com três dias de vida em Pernambuco

20 de maio de 2020

Da redação

O novo coronavírus provocou a morte de quatro indígenas em Pernambuco, entre elas inclui-se a mais jovem vítima da doença no estado.

Trata-se de uma bebê recém-nascida do povo Pipipã, cujo território fica no município de Floresta, situado no sertão pernambucano. A menina morreu com apenas três dias de vida. As informações são da Revista Época.

A maioria dos casos confirmados entre indígenas em Pernambuco é de Fulni-ô, com 13 indígenas infectados no total Foto – Reprodução


Além dos óbitos, o aumento da quantidade de casos confirmados tem causado preocupação entre os indígenas. Em duas semanas o número sextuplicou: passou de três para 18 pessoas que testaram positivo entre os dias 2 e 15 de maio. Os números integram um levantamento realizado pela Rede de Monitoramento de Direitos Indígenas em Pernambuco (Remdipe).

A criança indígena apresentou sintomas logo depois de nascer, como dificuldades para respirar. Ela morreu em casa, na aldeia Pipipã, e teve uma amostra coletada para realização de exame.

A causa da morte do bebê foi confirmada por meio de teste feito no Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE). O resultado foi divulgado no dia 5 de maio.

De acordo com o cacique da aldeia, Valdemir Amaro Lisboa, a principal suspeita é que a menina tenha sido contaminada no hospital em Floresta, onde foi feita a cesariana.

A mãe, o pai e seus outros dois filhos estão isolados e são monitorados por uma equipe multidisplinar de saúde indígena. A mãe passou por um teste rápido de Covid-19 e o resultado deu negativo. Um outro exame foi realizado e o diagnóstico deve sair nos próximos dias.  

“O bebê foi enterrado conforme os protocolos, sem velório e cerimônia, sem ajuntamento de pessoas. Nossa tradição é juntar o povo, oferecer comida, bebida e, para quem tem intimidade com questões espirituais, na hora da despedida a gente canta para encomendar o corpo”, explicou o cacique.