Agropecuária: Desmatamento no Cerrado pode ultrapassar extinção mundial de 1500

Da redação

O Cerrado é o bioma mais impactado pelo desmatamento para o plantio de soja. É o que mostra a pesquisa do MapBiomas, que constatou que áreas desmatadas para pastagens cresceram 17 milhões de hectares em 38 anos, sendo uma parcela significativa (10%) somente na última década. Com informações do GGN.

Cerrado 2022 – Foto: Adriano Gambarini/WWF Brasil

E caso siga no ritmo atual, as previsões para o desmatamento no Cerrado não são animadoras, expõe a secretária executiva do Observatório de Políticas Socioambientais do Estado de Goiás, Natália Brito, ao GGN.

“Um estudo publicado em 2017 na revista científica Nature Ecology & Evolution apontou que, se a devastação continuar avançando até 2050, o Cerrado pode perder até 34% do que ainda resta, o que levaria à extinção de 1.140 espécies endêmicas, que são as exclusivas de uma determinada região geográfica. O número é oito vezes maior do que a quantidade oficial de plantas extintas em todo o mundo desde o ano de 1500, quando começaram os registros”, ressalta.

A razão: Agropecuária

O resultado é uma consequência do próprio aumento das áreas usadas no país para a agropecuária. Até o ano passado, o correspondente a 33% de todo território brasileiro estava ocupado pela agropecuária: 282,5 milhões de hectares.

E o desmatamento para agropecuária cresceu 50% no Brasil de 1985 a 2022, sendo o Cerrado o bioma com maior área agrícola e área plantada com soja no país. A análise do MapBiomas foi feita através de processamento em nuvem utilizando algoritmos de inteligência artificial.

Os dados mostram que a agropecuária no Brasil vem crescendo em níveis alarmantes. Em 38 anos, houve um aumento de 95 milhões de hectares, área maior do que o estado do Mato Grosso e o equivalente a 10,6% do território nacional.

De acordo com a professora da Universidade Federal do Goiás (UFG) e pesquisadora do MapBiomas, Eliane Silva, a expansão da agropecuária no Brasil sem as devidas práticas sustentáveis, pode destruir a fauna, a flora e resultar na degradação completa do solo.

“O desmatamento, sem pensar a sustentabilidade, que vai além de cumprir a legislação, traz diversos impactos aos recursos hídricos, independente se a cultura é de soja ou outra monocultura. Isso ocorre porque o desmatamento pode alterar o ciclo hidrológico natural da região, uma vez que a vegetação é fundamental para recarregar os lençóis freáticos”, explica a professora. 

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