Desmatamento

Cerca de 95% do desmatamento recente foi ilegal, revela plataforma

09 de junho de 2019

Da redação

 

Em pouco mais de três meses, 89.741 hectares foram desmatados no Brasil, uma área equivalente a duas vezes e meia a cidade de Belo Horizonte (MG), segundo detecção do MapBiomas Alerta. 95% desse território não tem autorização registrada nos sistemas federal e estadual de licenciamento. “Essa vasta extensão de vegetação nativa não foi autorizada e tem grande chance de ter ocorrido de forma ilegal”, observa Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas Alerta.

 

Ibama apreende 7.387 toras de desmatamento ilegal extraídas da Terra Indígena Pirititi, na região Sul de Roraima – Foto – Felipe Werneck-Ascom-Ibama

 

Lançada nesta sexta-feira (7), a plataforma consiste em um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento que abrange todos os biomas brasileiros, e que, em apenas seis meses, registrou 4.577 alertas. ACESSE AQUI A PLATAFORMA.

A ferramenta está disponível na internet, de forma pública e gratuita, para subsidiar o monitoramento ambiental e as ações de prevenção e combate ao desmatamento ilegal. Com informações detalhadas e validadas, os alertas gerados pelo sistema podem ser usados pelos órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção de áreas ambientais.

Por meio da ferramenta, é possível detectar que 40% dos alertas validados no primeiro trimestre de 2019 ocorreram em áreas que não poderiam ser desmatadas – Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Áreas de Preservação Permanente, e de nascentes. Parte das bases de dados de áreas protegidas foram fornecidas pelo Instituto Socioambiental (ISA).

A maioria dos alertas ocorreu no Cerrado (53%), e na Amazônia (30%). Juntos, esses dois biomas foram responsáveis por 2.989 alertas. Os números para Amazônia podem ser ainda maiores, uma vez que a maior parte dos alertas da região ainda precisam ser validados e refinados. Já os Estados que mais desmataram foram Mato Grosso (10,3%), e Pará, com 5,8%. “O que chama a atenção é que todos os estados tiveram registros de desmatamento durante o período analisado pelo MapBiomas Alerta”, observa Marcos Rosa, coordenador da Equipe da Mata Atlântica e Pantanal no projeto.

Como funciona a ferramenta

Para cada Alerta validado, o MapBiomas Alerta fornece imagens de alta resolução de antes e depois do desmatamento. O Alerta é delimitado de forma precisa, incluindo as datas das imagens. Em poucos segundos, o sistema gera um laudo sobre as informações desse desmatamento detectado: se foi feito em uma propriedade particular ou em uma área protegida, e se foi autorizado.

Isso é feito a partir de cruzamentos com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC), territórios indígenas e outros limites geográficos (biomas, estados, bacias hidrográficas), e de autorizações de manejo e supressão de vegetação do Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (SINAFLOR/IBAMA).

O sistema resulta de consultas com os órgãos governamentais usuários de sistemas de alertas de desmatamento – como o Ministério do Meio Ambiente (MMA), IBAMA, Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU) – e com os provedores de alertas, como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), Universidade de Maryland, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

 

Fonte: GGN



piaui Banner Marcelino