Educação de Jovens e Adultos

Estudante da EJA é aprovado no Ensino Superior

05 de setembro de 2019

Da redação

“Eu vivia na escuridão por não saber ler. Cada momento em que pego um livro e estou aprendendo, me sinto com uma visão mais limpa”, conta Wellington Ribeiro que, aos 60 anos, terminou o Ensino Médio e comemora a aprovação no Ensino Superior para o curso de Direito. “O que puder fazer no estudo, eu farei. Vou batalhar, me dedicar mais. Minha vaidade serão os livros”, afirmou.

Wellington faz parte dos piauienses que voltaram aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ele interrompeu os estudos no ano de 1981 para tentar ser jogador profissional de futebol nos clubes de Teresina e logo em seguida começou a trabalhar.

Longe da sala de aula há mais de 40 anos, o aluno do Centro de Educação Jovens e Adultos (Ceja) Professora Maria Rodrigues das Mercedes, no bairro Vermelha, alcançou a tão sonhada vaga no Ensino Superior e atualmente cursa Bacharelado em Direito no Instituto Camillo Filho (Pitágoras ICF). Hoje, sua rotina é alternada entre o expediente de trabalho como funcionário de gabinete na Assembleia Legislativa do Piauí, e as aulas do curso de Direito.

Ele relata que o primeiro passo para entrar no Ensino Superior aconteceu por insistência de uma professora da EJA. “Tem uma pessoa especial para mim que é a professora Renegilda. Foi ela que sempre me chamava e me trouxe para fazer a matrícula. Lembro que ela me encaminhou para a primeira escola, no bairro Parque Piauí, mas optei por vir ao Maria Mercedes por ter crescido na região da Vermelha. Aqui, eu me sinto em casa”, disse Wellington.

Ao falar sobre suas maiores dificuldades na volta à sala de aula, o aluno destaca como a relação com os professores e colegas de turma foi importante na adaptação. “Fiz todas as etapas na EJA nesta mesma escola iniciando na etapa IV no Ensino Fundamental e o início foi bem complicado. A maior dificuldade foi me deparar com matérias que nem existiam na época em que frequentei a sala de aula, mas tive também muita alegria e aceitação junto aos outros estudantes. Mesmo eu sendo mais velho que eles, a amizade é de irmão e vai ser eterna. Não perdi o contato com nenhum professor e falo com eles nas redes sociais constantemente. Serão amigos eternos”, pontuou.

O estudante relata que a sua motivação para continuar o estudo foi a vontade de querer mudar de vida e ajudar as pessoas. “Era uma correria ir do trabalho para as aulas, chegando em alguns momentos a nem ter tempo para jantar, porém o importante era ir para a escola. Nunca faltei um dia de aula por vontade própria”, garante.

Wellington afirma que nunca pensou em desistir, mesmo quando sofreu um acidente que o impossibilitou de ir à escola. “Fiquei internado por alguns dias devido a um acidente em que coloquei quatro placas e doze parafusos no maxilar e só faltei porque fiquei hospitalizado. Eu vinha para a escola com a cara roxa e mesmo a diretora me falava que não necessitava ir, mas eu não queria perder um dia de aula”, disse.

 

Com informações de CCOM Piauí



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