Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudeste do Pará

Da redação

 Washington Alves/ Ligth Press – Reprodução – Agencia Gov

Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres. “A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas. “Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou. Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto. “Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

Mulheres empreendedoras

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal. Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 ─ um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres. Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou. Com informações da Agencia Brasl.

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