Da redação

Cena do espetáculo “Madame Satã”, do Grupo dos Dez.
– Divulgação/Lucas Bois
Desta quinta-feira (10) ao domingo (13), o Itaú Cultural, em São Paulo, recebe o musical “Madame Satã”, do Grupo dos Dez, que revisita a trajetória de uma das figuras mais lendárias da boemia da Lapa, no Rio de Janeiro. Inspirado em João Francisco dos Santos, conhecido pelo codinome Madame Satã, o espetáculo tem entrada gratuita e mergulha em diferentes versões construídas em torno desse personagem para lançar um olhar sobre questões pertinentes no Brasil contemporâneo.
As sessões acontecem de quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos e feriados, às 18h. Os ingressos devem ser reservados a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural. O musical parte de diferentes olhares para questionar quem foi João Francisco dos Santos, personagem que marcou a história da Lapa no início do século XX.
Homem negro, nordestino e homossexual, sua imagem atravessou o tempo cercada por relatos e contradições: para uns, ele era um homem valente, reconhecido por sua capoeira e por sua capacidade de enfrentar a polícia; para outros era associado a episódios de violência e à criminalidade.
A montagem, no entanto, propõe uma reflexão mais profunda sobre as condições que ajudaram a criar essa figura. Sua trajetória, que se confunde com a de muitos brasileiros historicamente empurrados para a margem, foi composta por pobreza, racismo, desprezo por sua origem e condição social e homofobia, além da exploração a que foi submetido desde a infância.
Assim, aproxima a trajetória do protagonista com questões ainda urgentes, como violência, exclusão e resistência. E, ao deslocar o olhar sobre a ideia de marginalidade, questiona quem são aqueles que a sociedade escolhe reconhecer como heróis e quem são os que permanecem invisíveis.
Madame Satã é levado à cena pelo coletivo teatral afrocentrado, LGBTQIAPN+ e periférico Grupo dos Dez, fundado em 2008, em Minas Gerais, dedicado ao teatro musical brasileiro e à resistência cultural. O espetáculo tem direção de João das Neves (1934-2018) e Rodrigo Jerônimo, dramaturgia de Marcos Fábio de Faria e Rodrigo Jerônimo, e direção musical de Bia Nogueira. Alma Preta.



