Da redação
Além de brasileiros vinculados ao programa Mais Médicos, o governo dos Estados Unidos cancelou, no mesmo dia, vistos de funcionários de governos africanos, de Granada e de Cuba, assim como de seus familiares, envolvidos em programas de cooperação médica com Cuba. A ação visa pressionar economicamente Cuba, buscando enfraquecer uma das principais fontes de receita do país: a exportação de serviços médicos.

Analistas de geopolítica consideram a medida uma provocação, com o objetivo de aumentar o isolamento de Cuba e exercer pressão política sobre o Brasil. O programa Mais Médicos, que permitia a cooperação com Cuba, havia sido implementado no governo anterior e gerou debates por reduzir o isolamento da ilha. O governo americano afirmou que a cooperação médica beneficia o regime cubano e priva a população local de cuidados médicos essenciais, justificando a necessidade de medidas para encerrar o que classificam como trabalho forçado.
Resposta de Cuba
O presidente de Cuba defendeu a legitimidade da cooperação médica como fonte de recursos externos. Ele destacou que os programas atendem às necessidades de países que solicitam esses profissionais, muitas vezes de forma gratuita, e que geram benefícios mútuos, representando uma fonte honesta de renda baseada nas capacidades desenvolvidas pelo país. O programa de cooperação médica de Cuba existe desde a década de 1960 e já enviou centenas de milhares de profissionais para mais de 160 países, incluindo nações da Europa, África, América Latina e Caribe. Atualmente, a ilha mantém milhares de médicos atuando em dezenas de países.
Chefes de Estado e de governo do Caribe criticaram a pressão americana, ressaltando a importância dos médicos cubanos para seus sistemas de saúde. Em alguns países, esses profissionais foram essenciais durante crises sanitárias recentes e receberam remuneração equivalente à dos profissionais locais. A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, destacou que o país não teria superado a pandemia de Covid-19 sem os médicos e enfermeiros cubanos, que receberam o mesmo salário dos barbadianos.
“A ideia passada por esse governo dos EUA, mas também pelos anteriores, de que estamos envolvidos em tráfico de pessoas ao vincular-nos com as enfermeiras cubanas, foi totalmente repudiado e rechaçado por nós. Se o custo para isso é a perda do meu visto dos EUA, então que assim seja”, afirmou Mia. Com informações da Agencia Brasil.



