Da redação

A Índia pretende ampliar os investimentos em minerais críticos no Brasil e desenvolver o processamento dessas matérias-primas em território brasileiro. A iniciativa faz parte da estratégia de Nova Déli para garantir o abastecimento de sua indústria e reduzir a dependência da China, que domina etapas fundamentais da cadeia mundial de minerais estratégicos.
“Vamos aumentar os investimentos em minerais críticos no Brasil, mas o objetivo não é apenas explorar o minério e ir embora, e sim agregar valor localmente e processar com o Brasil“, afirmou Vaishali Sahni, diretor da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI), em entrevista à Folha de S.Paulo.
Disputa por minerais
A aproximação ocorre em meio aos esforços indianos para diversificar o fornecimento de matérias-primas utilizadas na fabricação de baterias, motores elétricos, semicondutores e equipamentos militares. A China responde por cerca de 60% da produção mundial de terras raras e 85% de seu processamento, segundo dados do governo indiano.
Para reduzir essa dependência, Nova Délhi lançou, em 2025, a Missão Nacional de Minerais Críticos, que prevê mobilizar aproximadamente US$ 4 bilhões para garantir ao menos 50 ativos minerais no exterior. O programa também contempla 1.200 projetos de pesquisa mineral até 2031.
O Brasil aparece entre os principais destinos dessa estratégia por concentrar grandes reservas de recursos considerados essenciais à indústria. O país lidera mundialmente em reservas de nióbio e está entre os detentores de importantes jazidas de grafita, níquel, lítio e terras raras.
Em fevereiro de 2026, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, os dois países assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação em terras raras e minerais críticos. Na mesma ocasião, também foi firmado um acordo voltado à mineração para a cadeia de suprimentos do aço.
O secretário do Ministério de Minas indiano, Keshav Chandra, afirmou que a parceria poderá avançar para investimentos, transferência de tecnologia e projetos conjuntos. “Sobre esse memorando com o Brasil, o acordo deve progredir naturalmente em direção a investimentos significativos, transferência de tecnologia e parcerias em áreas específicas”, declarou.
Chandra também destacou a importância de desenvolver capacidade industrial para transformar os recursos minerais em produtos de maior valor agregado. Segundo ele, “ter níquel, lítio ou cobalto não significa nada” se o país não conseguir fabricar as baterias utilizadas em aparelhos e veículos. Fonte – RT Brasil.



