Da redação
Telefone tocando no meio da madrugada é preocupante. Com mãe internada, é mau agouro.
O operador de máquinas José Moura Silva, 41, entendeu o motivo da ligação logo que chegou ao hospital do Grajaú, em São Paulo. Recebeu uma roupa parecida com a de um astronauta e a permissão para entrar na UTI. Ele sabia que estavam concedendo a chance de dizer adeus a Adenivalda Ferreira da Silva, 70.

No cemitério São Luís, zona sul de São Paulo, não teve despedida. A declaração de óbito tinha o carimbo D3. Traduzindo do idioma funerário: a morte de Adenivalda era tratada como suspeita de covid-19.
Mas ela morreu sem saber se foi infectada pelo novo coronavírus. O material para exame foi coletado em 23 de março, e até agora o resultado não veio.
“O óbito está obscuro. Sei que minha mãe morreu de pneumonia, mas não sei se foi causada por covid”, lamenta José.
O caso de Adenivalda é exemplo da sombra das estatísticas oficiais da covid-19 no país.
Fonte – UOL



