Conferência do Clima

Não sediar Conferência do Clima é vista como lamentável

29 de novembro de 2018

Da redação

Decisão brasileira de não receber a Conferência do Clima da ONU em 2019 (COP-25) criou mal-estar diplomático e foi criticada por entidades ambientais.

Política de Bolsonaro para o Clima é vista com temor pois deve ampliar desmatamento. Foto – Reprodução – AgenciaPT

 

Poucas semanas depois do governo golpista deMichel Temer comemorar a confirmação da candidatura brasileira para sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019, a COP-25, o país deu meia-volta e afirmou que não receberá mais o encontro, em uma movimentação para atender Jair Bolsonaro.

A decisão criou mal-estar diplomático, obrigando a ONU a se apressar para procurar um novo lugar disposto a receber o evento e abriu uma crise com parceiros que haviam dado seu apoio a Brasília. O próprio Bolsonaro declarou que atuou diretamente na retirada da candidatura.

Entidades ambientais classificaram o episódio como “lamentável, mas não surpreendente”. Segundo o Observatório do Clima, que reúne 45 organizações brasileiras ligadas à ação climática, “a reviravolta provavelmente se deve à oposição do governo eleito, que já declarou guerra ao desenvolvimento sustentável em mais de uma ocasião. Não é a primeira e certamente não será a última notícia ruim de Jair Bolsonaro para essa área”.

O governo brasileiro chegou a alegar que haveria problemas orçamentários para receber o encontro, mas segundo membros do alto escalão do Ministério do Meio Ambiente (MMA) ouvidos pela Folha, a questão orçamentária já estaria resolvida desde outubro.

Havia reserva de recursos do Fundo Clima para garantir a realização da COP-25, que também teve seu orçamento aprovado em junho pelo Congresso, em emenda da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo apuração do Estadão, a escolha do Brasil já era tida como certa e seria chancelada na reunião da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) que ocorre a partir de segunda-feira (2), na Polônia.

A decisão foi interpretada nos círculos internacionais como um sinal da política que será adotada durante o governo de Jair Bolsonaro e vista com temor. O entendimento é de que o país que detém a maior floresta tropical do planeta não está disposto a apoiar as metas para combater as mudanças climáticas, o que poderá gerar um “efeito dominó”

Fonte: Com informações de AgenciaPT



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