Da redação
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação com “a alarmante prevalência de assassinatos de mulheres por questões de gênero no Brasil”.

Em comunicado emitido nesta segunda-feira (04), desde Washington, a entidade convocou o país a “implementar estratégias integrais para previnir estes casos, cumprir com sua obrigação de investigar, julgar e punir os responsáveis, assim como oferecer proteção e reparação integral a todas as vítimas”.
Dados recentes divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), da ONU, foram 126 assassinatos de mulheres registrados e mais 67 tentativas, ao largo do país, em 2019. Os registros dão conta que 40% do total dos assassinatos de mulheres em toda a América Latina e no Caribe ocorreram no Brasil.
As estimativas também revelam que, no Rio de Janeiro, há uma média de 300 assassinatos de mulheres por ano e, entre janeiro e novembro do ano passado, foram 377 mulheres morta no estado de São Paulo.
“A Comissão observa com preocupação que, na maioria dos casos, as mulheres haviam denunciado anteriormente os seus agressores, enfrentando graves situações de violência doméstica ou sofrido ataques ou tentativas de homicídio anteriores”, informou a CIDH, com preocupação.
A Comissão Interamericana também ressaltou que, em muitos desses casos, os agressores eram ou são casal da vítima e, ainda, que quase a metade dos crimes foram cometidos com arma de fogo, dentro de suas próprias casas.
Por outro lado, a Comissão lembrou que o perfil dos assassinos não torna dos casos um problema isolado, mas que se trata de um padrão de violência de gênero sintomático, que afeta todo o país e que é “resultado de valores machistas profundamente enraizados na sociedade brasileira”.
Dessa forma, alertou para a impunidade: “É indispensável reforçar as medidas de prevenção e proteção às mulheres. A violência de gênero contra as mulheres é um assunto de gravidade real e as autoridades, desde o mais alto nível, devem responder com a maior seriedade e urgência possível”, afirmou a presidente da CIDH e relatora para os Direitos das Mulheres, Margarette May Macaulay.
Fonte: GGN



