Mais de um milhão de anos: nova espécie única no Brasil é descoberta por alunos da UFRJ

Da redação

Foto – Wikipédia – Reprodução – Revista Forum

Mesmo em um dos estados mais estudados do país, a natureza ainda consegue surpreender. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriram uma nova espécie de mamífero completamente exclusiva do estado do Rio de Janeiro, reforçando a enorme biodiversidade escondida nos fragmentos remanescentes da Mata Atlântica fluminense.

A descoberta foi feita por duas ex-alunas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação da UFRJ, Isabelle Chagas Vilela Borges e Carina Azevedo Oliveira Silva, ao lado do pesquisador Pablo Rodrigues Gonçalves. O grupo identificou uma nova espécie de marsupial batizada de Monodelphis semilineata, conhecida popularmente como cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro.

O pequeno mamífero pesa apenas algumas dezenas de gramas, possui focinho pontudo, olhos reduzidos e hábitos alimentares voltados principalmente para insetos. A espécie vive em áreas restritas da Mata Atlântica localizadas na Baixada Litorânea e no Litoral Norte fluminense, regiões bastante impactadas pela urbanização e pela atividade industrial.

Segundo os pesquisadores, uma das características que diferenciam o animal de espécies próximas está em sua listra dorsal. Ao contrário de parentes semelhantes, a faixa escura nas costas é mais curta e não chega até o focinho. Além disso, análises anatômicas do crânio e da dentição ajudaram a confirmar que se tratava de uma espécie inédita para a ciência.

O estudo também utilizou análises genéticas modernas baseadas em sequenciamento de DNA. Os resultados indicam que a espécie surgiu há cerca de 1,78 milhão de anos, durante o período Pleistoceno. Os cientistas afirmam que a origem da cuíca coincide com a de outros animais emblemáticos e ameaçados da região, como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira-do-Sudeste.

A descoberta, porém, também acendeu um alerta ambiental. Os pesquisadores destacam que a nova espécie ainda não foi registrada em unidades de conservação de proteção integral, tornando o animal extremamente vulnerável. Muitos dos fragmentos florestais onde ela vive ficam próximos a rodovias movimentadas e grandes empreendimentos industriais, como áreas ligadas ao setor de óleo e gás.

Para os autores do estudo, o fato de uma nova espécie de mamífero ter sido descoberta justamente no Rio de Janeiro — um dos estados mais pesquisados do Brasil — mostra como a Mata Atlântica ainda guarda segredos importantes e reforça a necessidade de ampliar políticas de preservação ambiental. Fonte – Revista Forum.

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