Da redação
O artesanato em argila branca, produzido há quase um século no bairro Curtume, em Floriano, recebeu um reconhecimento histórico. Por decreto do governador Rafael Fonteles, a tradição local agora é oficialmente Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí. O ato, publicado no Diário Oficial do Estado, marca um passo importante para preservar e valorizar um ofício que se tornou símbolo da identidade florianense.

Feita manualmente por famílias do bairro, a cerâmica em argila branca chama atenção pela peculiaridade: o barro extraído apresenta tonalidade escura, mas ao passar pela queima transforma-se em uma peça clara, característica rara no Brasil. Essa técnica, transmitida de geração em geração, deu ao Curtume um lugar de destaque no artesanato nacional e garantiu sustento a inúmeras famílias.
Ao justificar o reconhecimento, o governador destacou que a tradição guarda mais que uma habilidade artesanal, representa memória coletiva e identidade cultural. Para ele, oficializar esse saber popular abre caminho para políticas públicas que fortaleçam a economia criativa e deem maior visibilidade aos artesãos.
Entre esses guardiões da tradição está Maria das Mercês, presidente da Cooperativa do Artesão do Curtume (Cooargila). Há 47 anos ela molda o barro com as próprias mãos, ofício aprendido com a família do marido. Para a artesã, o decreto é um estímulo que renova o orgulho da comunidade. “O artesanato é o que garante o sustento da nossa família. Muitas outras famílias também vivem dessa arte. Ver a cerâmica do Curtume reconhecida oficialmente é muito gratificante, porque mostra que o nosso trabalho tem valor”, relatou.

Com o novo título, a cerâmica em argila branca de Floriano se reafirma como patrimônio vivo: uma expressão cultural que une história, identidade e sobrevivência, e que segue sendo repassada às novas gerações como herança de resistência e criatividade.



