Pescador relata ‘desespero’ com chegada do óleo na região de Abrolhos

 

Da redação

 

O coordenador de relações institucionais da Comissão Nacional pelo Fortalecimento da Reservas Costeiras Marinhas (Confrem), Carlos Alberto Pinto dos Santos, que é pescador artesanal na reserva extrativista de Canavieiras, no Sul da Bahia, que fica nos arredores do Arquipélago de Abrolhos, diz que o derramamento de petróleo que atinge as praias do Nordeste desde 30 de agosto já chegou à região. Ele classificou como “racismo ambiental” contra as comunidades pesqueiras, por conta do descaso do governo federal para comandar os esforços de contenção do vazamento. Ele destacou que são os pescadores e voluntários que estão na linha de frente do combate ao desastre.

 

Sem comando do governo federal, pescadores e voluntários se destacam nas ações de contenção ao vazamento – Foto – Reprodução – Rede Brasil Atual

 

Ele diz que o petróleo chegou na região na última segunda-feira (28), quando pescadores retiraram cerca de 40 quilos de óleo do mar. “O clima de desespero e calamidade se aprofunda a cada dia que passa. Não estamos conseguindo vender nossos pescados”, afirmou ele em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (30).

Pescadores estão com peixes, camarões e mariscos estocados e não encontram compradores, pois os potenciais consumidores temem a contaminação. O setor do turismo, que absorve a maior parte do pescado da região, também sente os impactos do desastre.

“O óleo está entrando, chegando nas praias e nos nossos manguezais. Abrolhos não é só uma ilha no meio do mar. É um complexo que envolve a biodiversidade marinha e pessoas que dão suas vidas para defender a região. Não conseguimos dissociar a natureza das nossas vidas. Somos parte da natureza. Sem elas, não temos como existir. Não existe pescador sem peixe, marisqueira sem marisco. E nós não existimos sem o mar, sem os manguezais, sem os rios”, afirmou Carlos Alberto.

Ele diz que o apoio principal tem vindo de ONGs e universidades, e até mesmo de empresas privadas, que têm fornecido equipamentos de proteção individual aos voluntários. “O que mais sentimos hoje é uma completa ausência de informações por parte do estado brasileiro de onde está vindo esse óleo, a quantidade e as providências que estão sendo tomadas. É inadmissível que estejamos expostos a uma situação como essa. Se estamos numa situação de calamidade pública, o Estado tem que lançar mão de todas as estruturas para conter esse óleo”.

 

Do Rede Brasil Atual

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