Piauí registra mais de 8,8 mil eventos com fogo e órgãos discutem reforço no combate às queimadas

Da redação

CCom

O Piauí registrou 8.808 eventos envolvendo fogo em 2025, mas apenas 115 boletins de ocorrência e 75 procedimentos policiais relacionados ao tema foram registrados no mesmo período. A diferença entre os números levou o Ministério Público do Piauí (MPPI) a discutir, nesta quinta-feira (3), medidas para melhorar a prevenção, fiscalização e investigação de queimadas e incêndios florestais no estado.

A discussão ocorreu durante reunião na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública, em Teresina, com a participação da coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma/MPPI), Áurea Madruga, e do coordenador do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep/MPPI), Santiago Júnior. Também participaram representantes da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, da Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Civil.

Os números apresentados pelo MPPI fazem parte de um levantamento comparativo elaborado pelo Caoma e pelo Gacep com base em dados de 2025. Para chegar aos resultados, foram cruzadas informações do Informativo sobre Queimadas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp/PPE).

Diferença entre registros chama atenção

O levantamento utilizou dados do Painel de Fogo, plataforma que acompanha ocorrências de queimadas e incêndios em todo o país. No Piauí, foram identificados 8.808 eventos com fogo durante 2025. O MPPI ressalta, no entanto, que a existência de um foco de fogo não significa necessariamente a ocorrência de crime. A legislação permite o uso do fogo em determinadas situações e sob condições específicas, como algumas atividades de manejo de pastagens, eliminação de resíduos e biomassa seca e estratégias utilizadas no combate a incêndios.

Ainda assim, a diferença entre a quantidade de eventos registrados e o número de ocorrências que resultaram em procedimentos policiais foi apontada como um indicativo da necessidade de aperfeiçoar a comunicação entre os órgãos responsáveis pela identificação, fiscalização e investigação desses casos.

Órgãos querem integrar informações

A reunião também avançou na discussão de medidas práticas para aproximar as áreas de Meio Ambiente, Segurança Pública, Bombeiros, Defesa Civil e Ministério Público. Entre as propostas está a criação de um acordo de cooperação técnica para facilitar o compartilhamento de informações sobre queimadas e incêndios. A medida pretende tornar mais rápida a comunicação entre os órgãos e melhorar a capacidade de resposta diante de ocorrências que possam representar crime ambiental, danos ao patrimônio ou riscos à população.

A minuta do acordo será elaborada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e posteriormente encaminhada aos demais órgãos envolvidos para análise. A iniciativa busca transformar os dados produzidos pelos sistemas de monitoramento em ações mais coordenadas, fortalecendo a prevenção e permitindo uma resposta mais eficiente aos incêndios e queimadas no estado.

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