Da redação
Com a finalidade de registrar e divulgar os casos de covid-19 entre os indígenas, está sendo produzido o Boletim Covid-19 Povos Indígena no Piauí.

Esta atividade é realizada pela professora Carmen Lúcia Silva Lima, coordenadora do Laboratório do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia e líder do Grupo de Pesquisa sobre Identidades Coletivas, Conhecimentos Tradicionais e Processos de Territorialização da Universidade Federal do Piauí, em parceria com as lideranças dos povos indígena localizados no Piauí.
A quarta edição do boletim apresenta casos de covid-19 entre os Warao (Teresina), os Gueguê do Sangue (Uruçuí), os Gamela (Bom Jesus) e os Tabajara (Piripiri). Lamentavelmente, foi registrado o óbito de um indígena Warao, que faleceu no dia 14 de julho de 2020, no Hospital Getúlio Vargas, onde estava internado desde o dia 11 de junho de 2020.
Para o monitoramento da COVID-19, a professora Carmen Lúcia vem dialogando constantemente com as lideranças dos povos Gamela, Guajajara – Aldeia Ukrair, Gueguê do Sangue, Kariri, Tabajara, Tabajara Ypy, Tabajara da Oiticica, Tabajara Tapuio e Warao.
O boletim está sendo possível graças ao compromisso dos indígenas, que assumem a função de monitorar e comunicar os casos suspeitos ou detectados em suas comunidades.
A inexistência de uma política de saúde indígena no Piauí e a falta de atendimento pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), direito estabelecido em nossa constituição federal, torna os povos piauienses muito vulneráveis ao Coronavírus.
Com exceção dos Warao, que estão sendo monitorados pela Fundação Municipal de Saúde de Teresina, os demais povos indígenas não têm nos municípios onde vivem um atendimento diferenciado que considere a cultura e a identidade indígena. Como decorrência, as agências de saúde não conseguem registrar o número de indígenas infectados.
Neste sentido, o boletim tem a relevância de informar a sociedade dados que não estão sendo apresentados pelas agências de saúde pública até o momento.
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