Da redação
As vendas no comércio pelo país cresceram 3,8% em janeiro deste ano. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado representa o maior crescimento do mês desde o início da série histórica, em 2000. Da Revista Veja.

O aumento apresentado em janeiro também é o maior para qualquer mês desde julho de 2021, quando houve alta de 3,9%. Cristiano Santos, gerente da pesquisa, ressalta que cada mês tem sua especificidade no setor.
Mas salienta que desde setembro (1,1%) o volume de vendas no varejo não registrava alta. “É um resultado importante, porque o comércio vinha de resultados negativos ou estabilidade”, afirma.
Assim, o comércio varejista diminui a distância para o nível recorde da série (outubro de 2021), que agora é de -2,9%. No indicador acumulado nos últimos doze meses, a alta foi de 1,3%.
Vale ressaltar que esta é a primeira divulgação da pesquisa após uma atualização na metodologia, sobre seleção da amostra de empresas, ajustes nos pesos dos produtos e das atividades, além de alterações metodológicas, para retratar mudanças econômicas da sociedade. São atualizações já previstas e implementadas periodicamente pelo IBGE.
Resultado
A alta de janeiro foi disseminada entre as atividades pesquisas, já que sete das oito demonstraram crescimento em janeiro. Destaque para o setor de tecidos, vestuário e calçados, que cresceu 27,9% após quatro meses de queda.
Outro grupo que influenciou no resultado do varejo nacional foi o de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com aumento de 2,3% após dois meses de diminuição no volume de vendas.
“Ambos os setores sinalizam uma recuperação em janeiro. Pelo resultado de dezembro, é possível considerar que movimentos como Black Friday e o Natal não foram positivos para as duas atividades. Com as quedas anteriores e a base de comparação mais baixa, houve um crescimento importante em janeiro, motivado principalmente por iniciativas pós-Natal”, explica Santos.
O único setor que registrou queda nas vendas em janeiro foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-1,2%), que já vinha de trajetória de queda em dezembro (-0,5%).
“Esse movimento foi muito influenciado por cosméticos e perfumaria, que seguem em queda e têm variações mais sensíveis, já que os artigos médicos e farmacêuticos costumam ter trajetória ter trajetória mais estável”, afirma o pesquisador.
O comércio aquecido aumenta as evidências já apontadas pelo Banco Central sobre o aspecto de demanda da inflação, um dos principais argumentos do Banco Central para manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, algo que desagrada o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em janeiro, o IPCA registrou alta de 0,53%, com acumulado em 5,77% em doze meses.
Por causa da atualização nas pesquisas de atividades (comércio, serviços e indústria), a divulgação dos dados desses setores estão atrasados em relação a outras pesquisas do instituto, como a inflação.
Na última terça-feira, a inflação de março marcou 0,71%, com uma desaceleração em relação a fevereiro. Nos últimos 12 meses, o IPCA está em 4,65%, abaixo do teto da meta pela primeira vez em quinze meses.



