Da redação

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e a vice-presidente Carolina Cosse participarão, em agosto, do Terceiro Congresso Pan-Americano, ao lado do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, de deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos e de cerca de 100 parlamentares progressistas de 15 países. Montevidéu será sede do Terceiro Congresso Pan-Americano, um fórum que reúne forças progressistas do continente com o objetivo de construir posições comuns diante dos desafios compartilhados pelas Américas.
O encontro será realizado entre os dias 21 e 23 de agosto e contará com a participação do presidente uruguaio Yamandú Orsi, da vice-presidente Carolina Cosse, do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, da ex-ministra do Trabalho e ex-candidata à Presidência do Chile, Jeannette Jara, de três deputados democratas dos Estados Unidos e de aproximadamente uma centena de parlamentares de diversos países americanos.
O Congresso Pan-Americano foi realizado pela primeira vez em 2024, em Bogotá, na Colômbia, por iniciativa do então presidente Gustavo Petro, reunindo representantes de oito países. A segunda edição ocorreu no México, em 2025, sendo aberta pela presidente Claudia Sheinbaum e contando com delegações de 12 nações. A terceira edição será organizada pela Frente Ampla do Uruguai e reunirá parlamentares de 15 países.
Um dos coordenadores do congresso, David Adler, afirmou ao jornal Búsqueda que a rede de parlamentares tem como objetivo defender o princípio da autodeterminação diante do que classificou como uma tentativa de restaurar antigas formas de dominação estrangeira no hemisfério.
A abertura será realizada no Palácio Legislativo do Uruguai. O evento contará com sessões de debate reservadas, um encontro público no Teatro Solís e o encerramento na sede do Parlamento do Mercosul (Parlasul), quando serão anunciados compromissos e ações voltadas para uma agenda comum entre os países participantes. Os três deputados democratas norte-americanos confirmados são Pramila Jayapal, Summer Lee e Jesús “Chuy” García.
Segundo Adler, após declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre guerrilhas latino-americanas durante uma reunião em Washington, a delegação norte-americana passou a considerar o congresso como uma resposta política às posições defendidas por Rubio. Ele afirmou ainda que o encontro busca fortalecer uma articulação hemisférica baseada na soberania nacional e no respeito mútuo, em contraposição ao que chamou de políticas intervencionistas dos governos de Marco Rubio e Donald Trump.
Os debates deste ano serão organizados em quatro eixos principais:
- Paz, multilateralismo e segurança;
- Integração econômica e reindustrialização sustentável;
- Soberania digital;
- Bem-estar e políticas de cuidado.
Montevidéu como referência política
Para os organizadores, o Uruguai representa um dos poucos países do Cone Sul que mantém, com estabilidade institucional, um projeto político voltado para a justiça social e a soberania nacional. Além de Orsi e Cosse, participarão pelo Uruguai o secretário da Presidência, Alejandro Sánchez, a ex-vice-presidente Lucía Topolansky e os senadores Bettiana Díaz e Daniel Caggiani.
Em nota, a organização afirma que Montevidéu se tornou “um farol político capaz de apresentar uma alternativa diante da onda conservadora que atravessa grande parte do Cone Sul”. Participarão representantes da Argentina, Barbados, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Porto Rico.
Também é esperada a presença de Alicia Bárcena, secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México e ex-secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Os organizadores defendem que setores da direita e da extrema direita do continente vêm fortalecendo sua articulação internacional há décadas por meio de fóruns como a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), enquanto as forças progressistas não possuíam um espaço permanente de coordenação continental. Segundo eles, o Congresso Pan-Americano foi criado justamente para preencher essa lacuna. Fonte – BÚQUEDA.



