Com financiamento da Rússia, país asiático avança em programa nuclear e inaugura reator estratégico

Da redação

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Planta de energia nuclear – Unsplash – Reprodução – Revista Forum

Aprimeira usina nuclear de Bangladesh, país sul-asiático fronteiriço à Índia, entrou em sua etapa final de desenvolvimento. Rooppur fica a cerca de 160 km da capital do país, Dhaka, e foi concebida com financiamento russo para reduzir a dependência externa de energia do país, que importa mais de 95% de seus insumos energéticos (sobretudo o gás natural liquefeito, GNL).

Desenvolvida pela Bangladesh Atomic Energy Commission, com aporte russo de cerca de US$ 11,9 bilhões em empréstimos, a usina já se constitui como a maior operação financeira externa da história de Bangladesh, com um custo total avaliado em aproximadamente US$ 12,8 bilhões.

A planta deve ser capaz de responder por até 12% de toda a demanda nacional de eletricidade do país e economizar cerca de US$ 1 bilhão por ano em importações de combustível. Segundo a Agência Internacional de Energia, países emergentes com rápido crescimento demográfico e industrial têm recorrido à energia nuclear como forma de garantir fornecimento estável e previsível, principalmente quando são importadores relevantes de derivados fósseis.

A energia nuclear tende a tornar os sistemas elétricos mais confiáveis, com usinas de vida útil longa (que pode chegar a 60 anos). O projeto também evidencia a estratégia internacional da Rússia de expandir sua influência no eixo asiático com investimentos em infraestrutura energética. A Rosatom, corporação estatal de energia atômica russa, é líder global em tecnologias nucleares e tem um portfólio com mais de 35 projetos estrangeiros, focados em financiamento estatal, engenharia e fornecimento de combustível. A estatal russa se destaca pela tecnologia VVER-1200 (Geração 3+), reator de água pressurizada com mais de 1.200 MW de potência, que pode operar por até 18 meses sem reabastecimento.

Atualmente, tem projetos ativos em diversos países, em especial a Central Nuclear de Tian Wan, na China, em Kudankulam, na Índia, e na Bielorrússia. Com o Brasil, a Rosatom atua na construção de centros de ciência nuclear e no fornecimento de urânio concentrado, que é enriquecido na Rússia a 4,25% para abastecer as usinas de Angra como parte de um contrato com as Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O acordo de financiamento firmado com Bangladesh, que permitiu a construção de sua primeira usina nuclear, prevê que a Rússia participe do gerenciamento do combustível irradiado, uma das questões mais sensíveis do ciclo nuclear. A geração comercial de energia na usina de Rooppur, já abastecida com o combustível nuclear, deve se iniciar gradualmente após testes operacionais da planta, com integração completa à rede elétrica nacional prevista para os próximos meses. Fonte – Revista Forum.

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