Audiência pública discute problemas do transporte coletivo em Picos

Da redação

Na manhã da última quarta-feira (1º), o Ministério Público do Estado do Piauí promoveu uma audiência pública na Câmara Municipal de Picos para tratar da situação do transporte coletivo da cidade. A reunião foi conduzida pelo promotor Paulo Maurício Araújo Gusmão e reuniu representantes do poder público, da empresa concessionária, instituições de ensino, estudantes e membros da sociedade civil.

Divulgação

Os relatos apresentados revelaram um cenário de insatisfação antiga. Estudantes, professores e outras pessoas que dependem dos ônibus citaram problemas considerados graves: veículos com defeitos mecânicos, superlotação, linhas insuficientes para os bairros periféricos e comunidades rurais e tarifas que pesam no bolso. Também foram cobradas medidas práticas, como fiscalização mais firme, rotas ampliadas, horários ajustados, gratuidade estudantil e até a criação de um aplicativo que facilite o acompanhamento do trajeto dos veículos.

O promotor destacou que, por se tratar de um serviço essencial e inserido numa relação de consumo, o transporte deve ser contínuo, seguro, eficiente e digno. A audiência, segundo ele, teve justamente o propósito de ouvir quem sofre os impactos no dia a dia e abrir o diálogo entre quem utiliza o serviço e quem tem a responsabilidade de ofertá-lo.

A empresa LDL Turismo e Transportes reconheceu falhas e afirmou estar passando por mudanças internas, comprometendo-se a apresentar um plano de reorganização. Já a Prefeitura disse que acompanha a situação e tem buscado garantir a continuidade do serviço, inclusive atuando emergencialmente quando necessário. O procurador-geral do município, Espedito Neiva, assegurou que o diálogo com a empresa tem sido permanente.

Ao final, foram definidos encaminhamentos para tentar transformar as queixas em providências concretas. Entre eles, a criação de uma comissão formada por representantes das instituições de ensino, a apresentação de um plano de manutenção da frota pela concessionária em até 48 horas e novas inspeções a serem feitas pela prefeitura, com envio de relatórios ao Ministério Público. Também será aberta uma investigação preliminar para apurar as condições dos ônibus e a empresa terá 10 dias úteis para informar detalhes sobre alterações societárias e apresentar um plano de melhorias caso a mudança se confirme. A prefeitura ainda deverá encaminhar um relatório final com as medidas adotadas.

Participaram da audiência representantes do município, da Câmara, da Defensoria Pública, da empresa concessionária e das universidades UFPI, UESPI, IFPI e Faculdade Raimundo Sá, além de estudantes que relataram suas experiências. O encontro não resolveu o problema de imediato, mas reforçou a cobrança por respostas e colocou em papel compromissos que agora precisam sair do discurso e chegar às ruas.

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