Atraso na vacinação

Brasil poderia vacinar 4 vezes mais rápido que o ritmo atual, diz fundador da Anvisa

15 de maio de 2021

Da redação

m entrevista à Sputnik Brasil, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto aponta as falhas do governo federal na aquisição de vacinas contra a COVID-19, mas acredita que, em um cenário otimista, seja possível concluir a imunização antes do fim do ano. Com informações do Sputnik.

 Foto – REUTERS / Ricardo Moraes

Ao longo das últimas semanas, o Brasil despencou no ranking mundial de velocidade de vacinação.

Devido ao atraso na aplicação da segunda dose da CoronaVac e por falta de insumos para produzir imunizantes, o país caiu da quarta para a oitava posição entre os que mais aplicam doses de vacina contra a COVID-19 por dia.

A média diária de vacinação, que era de 995 mil em 29 de abril, passou para 429 mil na última quarta-feira (12), segundo dados do Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, conforme noticiado pelo portal G1.

“Não tem muito milagre. Sem vacina, perdemos o ritmo de vacinação”, disse, em entrevista à Sputnik Brasil, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e fundador e primeiro diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo o especialista, se o Brasil tivesse o volume necessário de doses, poderia vacinar até dois milhões de pessoas por dia, dada a capacidade do Plano Nacional de Imunização (PNI). A quantidade é mais que quatro vezes superior ao ritmo atual de vacinação do país.

“Infelizmente, é simples assim. Nós não compramos vacina. Estamos vivendo das vacinas que o [Instituto] Butantan e a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz] estão produzindo. E estão produzindo no ritmo em que recebem os insumos farmacêuticos da China e conseguem fazer o envase desse insumo”, afirmou o médico sanitarista.

Nesta semana, a Fiocruz anunciou que começará a produzir o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) no Brasil a partir deste sábado (15).

O primeiro lote de imunizantes nacionais, porém, só ficará pronto daqui a aproximadamente três meses.

Segundo Vecina, a Fiocruz conseguirá produzir, em média, 15 milhões de doses de vacina por mês até o início do ano que vem. A partir de fevereiro de 2022, o instituto terá a capacidade de dobrar a quantidade de doses na fábrica.

Ele explica que, durante e depois da produção, a fábrica será inspecionada por técnicos da Anvisa, que precisarão validar as condições de boas práticas e de qualidade do produto.

​Já o Instituto Butantan, que entregou 1,1 milhão de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde nesta sexta-feira (14), suspendeu completamente a produção da vacina por falta de matéria-prima.

O instituto depende agora da entrega do IFA chinês para poder atingir a produção de 100 milhões de doses, conforme se comprometeu.

“O problema é que, por conta das questões diplomáticas, com declarações estapafúrdias do presidente da República, a China está atrasando a chegada do IFA”, ressaltou o fundador e ex-diretor da Anvisa.



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