Da redação
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cuja função é combater a lavagem de dinheiro, identificou movimentações atípicas e incompatíveis nas contas bancárias do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL). Do GGN.

De acordo com documento do Coaf, as contas de Cid apresentam indícios de “movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, atividade econômica ou a ocupação profissional e capacidade financeira do cliente”, além de “transferências unilaterais que, pela habitualidade e valor ou forma, não se justifiquem ou apresentem atipicidade”.
Entre 26 de junho de 2022 e 25 de janeiro, o militar movimentou R$ 3,2 milhões, sendo R$ 1,4 milhão em débitos e R$ 1,8 milhão em créditos. Cid, no entanto, recebe R$ 26.239 de salário enquanto tenente-coronel.
Extrato
Em 12 de janeiro, Cid enviou uma remessa de R$ 367.374 aos Estados Unidos, data em que ele e o ex-presidente estavam no país para não acompanhar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
De acordo com o relatório, “considerando a movimentação elevada, o que poderia indicar tentativa de burla fiscal e/ou ocultação de patrimônio e demais atipicidades apontadas, comunicamos pela possibilidade de constituir-se indícios do crime de lavagem de dinheiro ou com ele relacionar-se”.
As movimentações foram feitas, majoritariamente, por quatro pessoas, segundo o Coaf: um caixeiro viajante, um ourives, um tip da esposa, Priscila Cid, e o sargento Luis Marcos dos Reis, também investigado pela Polícia Federal.
A defesa do braço direito de Jair Bolsonaro alegou que “todas as movimentações financeiras do tenente-coronel, inclusive aquelas referentes a transferências internacionais, são lícitas e já foram esclarecidas para a Polícia Federal” e que “todas as manifestações defensivas são apenas realizadas nos autos do processo”.
Histórico
Preso desde maio e investigado pela Polícia Federal, Cid soma diversos processos. Em um deles, teria fraudado cartões de vacinação do ex-presidente, familiares e amigos.
O tenente-coronel também é investigado por manter conversas de teor golpista no próprio celular, em que foi encontrado até um roteiro de golpe de Estado para manter Bolsonaro na presidência, substituir juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ainda convocar novas eleições.



