Da redação
A inclusão de academias e salões de beleza entre atividades essenciais, feita na segunda-feira, 11, pelo presidente Jair Bolsonaro, gerou uma reação negativa entre os governadores, que não devem acatar a mudança nas regras.

“Aqui no Maranhão nós sabemos que a terra é redonda e que precisamos cuidar do coronavírus com seriedade. Vai continuar a valer o decreto estadual”, disse à Reuters o governador do Estado, Flávio Dino (PCdoB).
Em sua conta no Twitter, o governador ainda ironizou: “O próximo decreto de Bolsonaro vai determinar que passeio de jet ski é atividade essencial?”, escreveu, referindo-se ao passeio do presidente no sábado, quando o país chegava aos 10 mil mortos pela covid-19.
O Maranhão foi o primeiro a iniciar um lockdown, a versão mais restrita do isolamento, na capital São Luís e na sua área metropolitana para tentar conter o avanço da epidemia. A capital maranhense já é a terceira cidade com mais casos e mais óbitos por 1 milhão de habitantes.
Da mesma forma, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) rechaçou qualquer mudança. Seu estado está com lockdown em Belém e outras nove cidades onde há mais casos.
“Reafirmo que aqui no Pará essas atividades (academias e salões de beleza) permanecerão fechadas. A decisão é tomada com base no entendimento do STF”, escreveu o governador em sua conta no Twitter.
No Ceará, onde o sistema de saúde já está praticamente em colapso, o governador Camilo Santana (PT) foi na mesma linha:
“Informo que, apesar do presidente baixar decreto considerando salões de beleza, barbearias e academias de ginástica como serviços essenciais, esse ato em nada altera o atual decreto em vigor no Estado do Ceará, e devem permanecer fechados. Entendimento do Supremo Tribunal Federal”, escreveu Santana. Fortaleza também está em lockdown.
Os governadores de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), do Piauí, Wellington Dias (PT) e da Bahia, Rui Costa (PT), também foram às redes afirmar que não seguirão o decreto presidencial.
Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não comentou diretamente o tema, mas listou as atividades econômicas que poderão ficar abertas no estado. Entre elas não estavam academias e salões de beleza. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), também anunciou que não cumprirá o decreto.
No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel, criticou o decreto presidencial. O estado está em quarentena até 31 de maio. Até o prefeito Marcelo Crivella, tido como aliado de Bolsonaro, segue em direção oposta à do presidente.
Com informações da Revista Exame.



