Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Piauí garante perícias de graça para beneficiários do estado

Da redação

A Corregedoria-Geral da Justiça do Piauí implementou uma iniciativa que representa um marco no acesso à justiça para pessoas em situação de vulnerabilidade. A partir de agora, os custos com perícias técnicas em processos de beneficiários da justiça gratuita serão pagos com recursos do próprio orçamento da Corregedoria. A medida garante que a produção de provas técnicas, muitas vezes decisivas, não seja inviabilizada pela falta de recursos financeiros.

Reprodução – TJ/PI

Durante anos, milhares de processos judiciais enfrentaram paralisações por conta da ausência de recursos para arcar com perícias. Essa realidade, silenciosa e injusta, atingia especialmente os cidadãos de baixa renda, mesmo aqueles formalmente amparados pela justiça gratuita. Com a nova resolução, esse cenário começa a mudar: o Judiciário estadual assume a responsabilidade pelo pagamento dessas perícias, assegurando o prosseguimento das ações e o pleno exercício do direito à defesa.

Orçamento próprio e prioridade à justiça social

A decisão de custear as perícias com orçamento próprio partiu do Corregedor-Geral da Justiça, desembargador Erivan Lopes. Ele defende que a Justiça não pode se tornar inacessível para quem mais precisa dela. Segundo o magistrado, a medida corrige uma distorção histórica: processos que ficavam travados pela ausência de recursos agora poderão seguir normalmente, com base em provas técnicas asseguradas pelo próprio Judiciário.

Desembargador Erivan Lopes – Foto – Reprodução – TJ/PI

“Quando uma família humilde busca a Justiça e precisa de uma perícia, não é justo que a falta de dinheiro seja um obstáculo”, afirma o Corregedor. Para ele, a iniciativa é uma resposta concreta ao princípio constitucional do acesso à justiça. “Nosso compromisso é garantir previsibilidade, transparência e segurança jurídica, para que nenhuma demanda seja prejudicada pela ausência de prova técnica”, reforça. Na prática, a medida rompe com a lógica da desigualdade estrutural no sistema de justiça e estabelece um novo padrão de responsabilidade institucional com os mais vulneráveis.

A execução da medida envolve critérios técnicos bem definidos. Os juízes continuam responsáveis por nomear os peritos e estipular os valores dos honorários, conforme a complexidade do trabalho. O pagamento será feito diretamente pela Corregedoria, com controle rigoroso, em ordem cronológica, e com total transparência. Esse modelo não apenas garante mais previsibilidade às partes envolvidas, como também valoriza o trabalho dos peritos, que passam a ter maior segurança quanto ao recebimento dos seus honorários.

Judiciário mais justo, célere e inclusivo

A resolução tem alcance abrangente e contempla processos em todas as instâncias do Judiciário estadual. O principal objetivo é assegurar que nenhum processo deixe de ser concluído por ausência de prova técnica. Ao fazer isso, o Tribunal de Justiça do Piauí reafirma seu compromisso com uma justiça mais eficiente, igualitária e humanizada. Além disso, a iniciativa fortalece o princípio da duração razoável do processo, um dos pilares da efetividade jurisdicional. Em um momento em que se discute o fortalecimento das instituições e o combate às desigualdades, o exemplo da Corregedoria-Geral do TJPI se destaca como um modelo de compromisso prático com os direitos fundamentais.

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