Da redação

esquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método para recuperar o amido liberado pela batata durante as etapas de lavagem e processamento industrial e transformar a chamada “água de batata” em uma farinha rica em fibras.
O reaproveitamento do resíduo pela indústria alimentícia é uma solução com ganhos muito mais que econômicos: ele resolve um problema ambiental importante, pois a água utilizada no processamento industrial da batata pode ter impactos importantes quando descartada sem tratamento em ecossistemas aquáticos.
O que a “água de batata” tem a ver com rios?
Como a batata é um dos alimentos mais consumidos do mundo, sua produção em larga escala exige grandes volumes de água. Esse processo gera um efluente, conhecido popularmente como “água de batata” e com alta carga de matéria orgânica, com potencial para poluir rios e outros corpos d’água.
Segundo informou o pesquisador Eric Keven Silva, professor da FEA, ao Jornal da Unicamp, o descarte inadequado desse resíduo pode comprometer a qualidade ambiental. “Esse material possui uma alta carga orgânica. Quando descartado sem tratamento, ele contribui para a redução do oxigênio na água, causando o desequilíbrio de ecossistemas aquáticos”, explica o docente do Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos.
Além dos rios, o problema também pode afetar os lençóis freáticos, agravando os impactos ambientais do processamento industrial do alimento. O estudo abre caminho para soluções mais sustentáveis no processamento não apenas da batata, mas de outros alimentos cuja industrialização pode impactar diretamente o meio ambiente.
Alternativa sustentável
De acordo com a pesquisadora Gabriela Milanezzi, doutoranda da instituição e responsável pelo estudo para transformar o amido da “água de batata” em uma farinha rica em fibras, o ingrediente pode ter várias aplicações. “Pode ser utilizado na produção de pães e bolos ou como espessante natural para molhos, ampliando as possibilidades de uso na indústria”, afirma.
A proposta da pesquisa é permitir que as próprias indústrias incorporem o reaproveitamento desse resíduo em suas linhas de produção. Além de reduzir o descarte de efluentes e o impacto ambiental, a iniciativa também pode gerar valor econômico, já que um material antes tratado como resíduo poderá ser transformado em ingrediente alimentar. Fonte – Revista Forum.



