Da redação
A universalização do saneamento básico na Amazônia Legal pode trazer benefícios econômicos estimados em R$ 330 bilhões até 2040. O avanço da coleta de esgoto e do acesso à água potável deve reduzir gastos com saúde, aumentar a produtividade, gerar empregos e impulsionar setores como o turismo e o mercado imobiliário. O referido estudo do Instituto Trata Brasil aponta ganhos econômicos e sociais com ampliação da coleta de esgoto e acesso à água potável.

Pará, Maranhão e Mato Grosso lideram projeções de ganhos
De acordo com estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta terça-feira (16), os estados com maior retorno líquido serão o Pará (30,4%), o Maranhão (19,1%) e o Mato Grosso (16,1%). A Amazônia Legal é formada por nove estados, 772 municípios e concentra cerca de 26,6 milhões de habitantes – o equivalente a 13% da população brasileira. Apesar da relevância do setor, em 2022, aproximadamente 9,4 milhões de pessoas ainda viviam sem acesso à água tratada na região, o que corresponde a 35% da população local.
Avanço nos investimentos após recriação do Ministério das Cidades
O secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Leonardo Picciani, destacou que os investimentos sofreram forte redução entre 2016 e 2022, mas voltaram a crescer após a recriação do Ministério das Cidades, em 2023. Segundo ele, os aportes aumentaram mais de 30% recentemente, conforme dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento. Mesmo com esse avanço, Picciani reforça a necessidade de maior mobilização entre governo e iniciativa privada para acelerar o atendimento às comunidades que ainda vivem sem infraestrutura básica.
Atualmente, a secretaria administra uma carteira ativa de 1.688 empreendimentos, que somam R$ 60,7 bilhões em investimentos. “Apesar dessa retomada, o desafio de garantir saneamento básico para todos exige um esforço conjunto maior entre o poder público e a iniciativa privada, com o objetivo de assegurar mais qualidade de vida à população”, pondera.
Cada R$ 1 investido gera mais de R$ 5 em retorno
O levantamento mostra ainda que o retorno econômico e social do saneamento é expressivo, pois, para cada real aplicado, a Amazônia Legal terá mais de R$ 5 em benefícios. A meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026) prevê que até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Em casos específicos, o prazo poderá se estender até 2040.



