Da redação
O Tribunal do Júri da Comarca de Jerumenha condenou, nesta quinta-feira, 21, Ierson Duarte Pereira dos Santos a 23 anos de reclusão pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver de sua esposa, Francisca Maria Lemos da Silva. O crime ocorreu em 5 de abril de 2024, em uma estrada vicinal da comunidade Palmeira, zona rural de Canavieira.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Piauí, o réu matou a vítima por motivo fútil, ligado ao sentimento de posse e ao inconformismo com o término do relacionamento. O homicídio envolveu recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de meio cruel, e ocorreu em razão da condição de sexo feminino, caracterizando violência doméstica e familiar. Após o crime, o acusado ocultou o corpo e os pertences da vítima em uma ribanceira.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses do MPPI, representado pelo promotor Esdras Oliveira Costa Belleza do Nascimento, enfatizou a gravidade do crime e a necessidade de uma resposta penal proporcional aos fatos. A juíza presidente do Tribunal do Júri, Lucyane Martins Brito, fixou a pena definitiva em 23 anos de reclusão, sendo 22 anos e 2 meses pelo feminicídio e 1 ano pela ocultação de cadáver, acrescidos de multa. A condenação deve ser cumprida em regime inicialmente fechado, sem possibilidade de substituição por penas restritivas de direitos.
O promotor de Justiça destacou o caráter simbólico da decisão, frisando que o referido julgamento é uma resposta firme da sociedade e da “Justiça contra a barbárie da violência de gênero. Cada vida ceifada pelo feminicídio representa uma ferida aberta em nossa coletividade. O veredito de hoje reforça que nenhuma mulher deve ser reprimida pelo simples fato de ser mulher, e o Ministério Público seguirá atuando com rigor e sensibilidade para que crimes tão cruéis não fiquem impunes”.



