Na estranha movimentação milionária de mais de R$ 17 milhões depositados na conta de Jair Bolsonaro via Pix somente janeiro e o início de julho deste ano, está uma transferência feita por Admar Gonzaga Neto, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com informações da Revista Forum.

O ex-presidente passa por um pente fino do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que na quinta-feira (28) divulgou um relatório apontando movimentação atípica em uma de suas contas bancárias.
As transações, segundo o órgão, podem estar ligadas à “vaquinha” feita por Bolsonaro com o suposto objetivo de angariar recursos para pagar multas. Em junho, o ex-presidente divulgou seu CPF, que é o número de seu Pix, para que apoiadores fizessem as transferências. A campanha foi propagada pelo ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e outros apoiadores.
Naquele mês, a Justiça de São Paulo havia determinado o bloqueio de R$ 87,4 mil das contas de Bolsonaro pelo não pagamento de multas por infringir regras sanitárias à época da pandemia do coronavírus.
Apesar de ter declarado R$ 2,3 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas eleições e de receber um salário de cerca de R$ 86,5 mil, entre os recursos que recebe do PL, seu partido, e a aposentadoria do Exército – que ultrapassa os R$ 100 mil quando somado aos valores recebidos pela esposa, Michelle Bolsonaro -, Bolsonaro não se furtou em pedir dinheiro e, até o momento, não divulgou o quanto arrecadou na “vaquinha” e se ao menos parte do valor foi utilizado para pagar as multas.
Pelo contrário. O relatório do Coaf diz, ainda, que parte dos recursos arrecadados via Pix teriam sido convertidos em aplicações financeiras – isto é, investimento.
Admar Gonzaga Neto, o ex-ministro do TSE que chegou a atuar como advogado de Bolsonaro, transferiu para o ex-presidente R$ 5 mil via Pix. À Folha de S. Paulo, o magistrado disse que doou o valor para ajudar o ex-mandatário a pagar as multas referentes à infração sanitária à época da pandemia e ainda reclamou da divulgação dos dados.
“Lamentável é o vazamento de dados financeiros para a imprensa. Vocês obtiveram autorização judicial? Estamos vivenciando uma inquisição moderna”, disparou o ex-ministro.



