Promotora que fez campanha para Bolsonaro deixa investigação do caso Marielle

 

Da redação

 

A promotora do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) Carmem Eliza Bastos de Carvalho decidiu nesta 6ª feira (1º.nov.2019) deixar a investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes.

 

Integrante da equipe do Ministério Público do Rio que investiga caso Marielle, Carmen Eliza tem postagens em homenagem a Bolsonaro em suas redes – Foto – Reprodução

 

A promotora participou da coletiva na qual o MP anunciou que o porteiro de condomínio na Barra da Tijuca (RJ) mentiu em seu depoimento ao mencionar o nome de Jair Bolsonaro. De acordo com o porteiro, ouvido como testemunha no caso, 1 dos envolvidos no assassinato teria interfonado na casa 58 –a de Bolsonaro–, de onde supostamente veio a autorização para a entrada. O fato teria ocorrido em março de 2018, no mesmo dia em que Marielle e Anderson foram assassinados.

Horas após a entrevista coletiva, no entanto, começaram a repercutir na imprensa e nas redes sociais publicações da promotora no Instagram e no Facebook em apoio a Bolsonaro. No dia 1º de janeiro, por exemplo, a promotora postou uma foto de Bolsonaro na cerimônia de posse presidencial. A legenda: “Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória…”.

A promotora divulgou declaração em que nega ter atuado sob “qualquer influência política ou ideológica” .  Afirma, também, que “liberdade de expressão deve ser respeitada” e que “1 promotor não perde seu direito de cidadão” .

“Não há, nesses 25 anos, 1 só episódio que tenha sido apontado como comprometedor de minha imparcialidade na atuação funcional. Ao contrário, são anos de luta isenta pela punição de quem atenta contra o maior bem jurídico de cada 1 de nós: o direito à vida”, escreveu Eliza.

Em outro manifesto, o MP reconheceu o “zeloso trabalho” de Carmen e destacou que a promotora detém “incontestável experiência“. Destacou que foi instaurado procedimento para análise da atuação da servidora pela Corregedoria Geral do órgão.

O Ministério Público informou ainda que os pais de Marielle Franco e a viúva de Anderson Gomes teriam defendido a manutenção de Carmen à frente do processo, mas que a promotora decidiu pessoalmente se afastar.

 

Do Poder 360

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